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Impasse sobre gestão do Hospital Regional movimenta Polícia Militar e mobiliza autoridades em Vilhena

Troca da administração da maior unidade hospitalar do Cone Sul coloca Estado, Município e Santa Casa de Chavantes em lados opostos; ocorrência foi registrada na Unisp e poderá ter desdobramentos na Justiça.

A tentativa de mudança na gestão do Hospital Regional de Vilhena provocou uma grande mobilização de autoridades durante esta sexta-feira, 03 de julho de 2026, envolvendo equipes da Polícia Militar, representantes da Secretaria de Estado da Saúde (SESAU), da Secretaria Municipal de Saúde (SEMUS), da Prefeitura de Vilhena, da Santa Casa de Chavantes e da Organização Social Pátris. O caso foi registrado na Unidade Integrada de Segurança Pública (UNISP) e poderá ter desdobramentos judiciais.

Parte das informações desta reportagem foi apurada pelo Jornal Folha do Sul On-line e repassada ao Jornal Rota Policial News, que também manteve contato com os advogados Christian Sega e Cícero Assunção, representantes da Santa Casa de Chavantes.

Os profissionais informaram que, em razão de cláusulas de confidencialidade e da estratégia processual adotada, não poderiam comentar detalhes do caso.

No entanto, afirmaram que entendem que a forma como a mudança foi conduzida contraria cláusulas previstas no contrato firmado entre as partes. Mostraram ainda documentos do contrato à reportagem.

Segundo as informações apuradas, representantes da Organização Social Pátris, instituição sediada em Goiânia (GO), compareceram ao Hospital Regional para iniciar o processo de substituição da Santa Casa de Chavantes, responsável pela administração da unidade hospitalar há aproximadamente quatro anos.

A chegada da nova equipe gerou um impasse entre Estado e Município. Conforme apurado, representantes da Santa Casa solicitaram que os integrantes da nova organização social deixassem as dependências do hospital até que a situação fosse esclarecida administrativamente. Diante da permanência dos envolvidos, a Polícia Militar foi acionada por duas vezes para atender à ocorrência.

Em entrevista ao Folha do Sul Online, o prefeito de Vilhena, Delegado Flori, afirmou que não concorda com a forma como a transição vem sendo conduzida e declarou que não permitirá a substituição da atual gestora sem que exista uma definição formal e segura para garantir a continuidade dos atendimentos.

Segundo o prefeito, uma mudança sem planejamento adequado pode comprometer o funcionamento do Hospital Regional, especialmente em setores de alta complexidade, como a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde pacientes dependem de atendimento ininterrupto.

Flori destacou ainda que a estrutura da unidade conta atualmente com cerca de 400 colaboradores ligados à Santa Casa de Chavantes e aproximadamente 300 servidores municipais.

Na noite desta sexta-feira, o secretário de Estado da Saúde de Rondônia, Edilton Oliveira, acompanhado pelo secretário adjunto, integrantes da equipe técnica da SESAU e pelo vereador Samir Ali (MDB), esteve na redação do Jornal Folha do Sul Online, onde confirmou que o Governo de Rondônia pretende substituir a Santa Casa de Chavantes pela Organização Social Pátris.

O secretário negou que a ação tenha sido realizada de forma inesperada e afirmou que o Estado tenta, há mais de 40 dias, obter acesso a informações administrativas e financeiras do Hospital Regional. Segundo ele, esse acesso estaria sendo dificultado pela atual gestora.

Edilton Oliveira afirmou ainda que a decisão tem como principal objetivo garantir a continuidade da assistência prestada à população.

Eu sou médico, e estou adotando medidas para salvar a vida das pessoas que dependem daquele hospital.”

O titular da SESAU declarou que recebeu informações apontando a existência de equipamentos sem funcionamento, atrasos no pagamento de salários e falta de medicamentos, situação que, segundo ele, motivou a decisão de promover a troca da organização responsável pela administração da unidade.

Ainda conforme o secretário, a Organização Social Pátris já está habilitada para atuar em Rondônia e foi escolhida após avaliação técnica realizada pela Secretaria de Estado da Saúde.

Outro ponto destacado por Edilton Oliveira foi a possibilidade de o Governo do Estado devolver ao Município a responsabilidade pela gestão do Hospital Regional caso a substituição da Santa Casa de Chavantes seja impedida.

Segundo afirmou, nessa hipótese o Estado deixaria de realizar os repasses financeiros destinados à manutenção da unidade, cabendo ao Município assumir integralmente os custos para manter o hospital em funcionamento, caso opte pela permanência da atual gestora.

Após conceder entrevista, o secretário informou que participaria de uma reunião com representantes do Ministério Público em Vilhena na tentativa de buscar uma solução para o impasse.

Até o fechamento desta reportagem, representantes da Prefeitura de Vilhena, da Secretaria Municipal de Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde, da Santa Casa de Chavantes, da Organização Social Pátris, da Polícia Militar e demais órgãos envolvidos permaneciam acompanhando o caso, enquanto o futuro da gestão do maior hospital público da região Cone Sul seguia indefinido.

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Redação Tony Mont-Serrate

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