Leitora denuncia falta de metformina e insulina em postos de saúde de Vilhena
Segundo relato encaminhado ao Rota Policial News, medicamento para diabetes estaria em falta há cerca de três meses em uma unidade, enquanto família relata dificuldade para adquirir insulina na rede particular

Uma leitora procurou o Jornal Rota Policial News nesta terça-feira, 06 de outubro de 2026, para relatar uma situação que, segundo ela, estaria afetando pacientes que dependem de medicamentos de uso contínuo fornecidos pela rede pública de saúde de Vilhena.

De acordo com a moradora, o pai utiliza medicamentos para controle da pressão arterial e do diabetes e estaria enfrentando dificuldades para receber a metformina em uma unidade de saúde do bairro Cristo Rei.
Segundo o relato, a família procura o posto há aproximadamente três meses, mas o medicamento não estaria disponível para retirada.

A leitora afirma ainda que teria encontrado a metformina em farmácias particulares, e que a família estaria tendo que comprar o medicamento por conta própria diante da ausência do produto na unidade pública.
“Ele usa remédio controlado de pressão e diabetes. E o dele é metformina e o pessoal do posto diz que não tem. Já tem uns três meses que você vai lá no postinho e não tem. Só dizem que tem na farmácia”, relatou a leitora à reportagem.
A situação relatada também envolve pacientes que fazem tratamento com insulina. Conforme a moradora, uma pessoa da família esteve em uma unidade de saúde nesta terça-feira para buscar insulina destinada ao tratamento de um paciente diabético, mas teria sido informada de que o produto não estava disponível e que não haveria, naquele momento, previsão para a chegada.
“Não pode ficar sem. Não tem em nenhum postinho segundo nos disseram e falaram também que não tem previsão de chegar”, relatou.
Segundo ela, a alternativa encontrada pela família seria adquirir a insulina em uma farmácia particular.
Entretanto, o custo representaria uma dificuldade significativa. Conforme o relato, o medicamento custaria aproximadamente R$ 70 e seria suficiente para apenas dois dias de tratamento, situação que, segundo a leitora, inviabilizaria a manutenção do tratamento para uma família sem condições financeiras de arcar continuamente com a despesa.
“A pessoa não vai conseguir. Não tem condição da gente comprar pra ele passar até não sei quando. Ninguém sabe nem quando vai chegar esse remédio”, afirmou.
Medicamentos de uso contínuo e responsabilidade do poder público:
A situação relatada merece esclarecimentos das autoridades de saúde, principalmente porque medicamentos utilizados no controle de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, são fundamentais para a continuidade do tratamento dos pacientes.
No Sistema Único de Saúde (SUS), a assistência farmacêutica é organizada de maneira compartilhada entre União, estados e municípios, com responsabilidades diferentes conforme o medicamento e o componente da assistência farmacêutica ao qual ele pertence.
No caso dos medicamentos da Atenção Primária, como aqueles utilizados no tratamento de hipertensão e diabetes, existe participação das três esferas de governo no financiamento e na organização da assistência farmacêutica.
A aquisição, distribuição e dispensação seguem as responsabilidades e pactuações estabelecidas dentro do Sistema Único de Saúde, o SUS.
No caso específico das insulinas humanas NPH e Regular, o Ministério da Saúde informa que a aquisição é centralizada pela União, que realiza a compra e a distribuição desses medicamentos aos estados e ao Distrito Federal, enquanto a organização da distribuição e dispensação ocorre dentro da estrutura do SUS.
Por isso, uma eventual falta nas unidades de saúde pode estar relacionada a diferentes etapas da cadeia de abastecimento, sendo necessário esclarecer se houve problema na aquisição, no repasse, na distribuição estadual ou no estoque e distribuição municipal.
Rota Policial News cobra respostas das Secretarias de Saúde
Diante da denúncia apresentada pela leitora, o Rota Policial News solicita esclarecimentos à Secretaria Municipal de Saúde de Vilhena sobre o eventual desabastecimento, bem como à Secretaria de Estado e Saúde do Estado de Rondônia, à SESAU.
A reportagem questiona:
- A metformina está em falta nas unidades de saúde do município?
- Há quanto tempo existe eventual falta desse medicamento?
- Quais postos de saúde estão sem o produto?
- Existe estoque de medicamentos para hipertensão e diabetes na rede municipal?
- Há falta de insulina nas unidades de saúde?
- Qual tipo de insulina estaria eventualmente em falta?
- Existe previsão para regularização do abastecimento?
- O município recebeu normalmente os medicamentos destinados à rede?
- Caso a falta esteja relacionada ao fornecimento estadual ou federal, quais providências foram adotadas?
- Por que pacientes estariam sendo orientados a comprar medicamentos que deveriam ser disponibilizados pela rede pública?
O Rota Policial News deixa o espaço aberto para que a Secretaria Municipal de Saúde, através de seu secretário de saúde, Wagner Wasczuk Borges, a Prefeitura de Vilhena, o Governo de Rondônia, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, e o Ministério da Saúde apresentem suas versões e esclareçam eventuais responsabilidades no caso.
Até o fechamento desta reportagem, o relato apresentado à redação representa a manifestação de uma usuária do sistema público de saúde e não significa, por si só, que exista desabastecimento generalizado em toda a rede municipal.
Cabe aos órgãos responsáveis informar oficialmente a situação dos estoques e as providências adotadas.
Denúncias podem ser encaminhadas aos órgãos de controle
Pacientes que enfrentarem problemas relacionados ao fornecimento de medicamentos ou outros serviços públicos de saúde também podem procurar os canais oficiais da Secretaria Municipal de Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde e da Ouvidoria do SUS.
Em situações que possam indicar eventual falha na prestação de um serviço público essencial ou prejuízo ao direito à saúde, o cidadão também pode procurar o Ministério Público de Rondônia, inclusive por meio dos órgãos de atuação relacionados à defesa da saúde pública, como à Curadoria de Saúde do MP-RO.
A base legal e administrativa da matéria está alinhada ao Ministério da Saúde: NPH e Regular são de aquisição centralizada pela União, mas a assistência farmacêutica básica é executada de forma descentralizada, com participação de estados e municípios.
O Rota Policial News continuará acompanhando o caso e dará publicidade aos esclarecimentos que forem encaminhados pelos órgãos públicos responsáveis.

Redação / Tony Mont-Serrate
Foto: Ilustração/ SEMUS
Rota Policial News 



























