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Grandes nomes da esquerda são derrotados nas urnas e resultado expõe perda de espaço político no Brasil

Gleisi Hoffmann, Randolfe Rodrigues, Benedita da Silva e Fernando Haddad estão entre as principais lideranças do campo progressista derrotadas nas eleições de 2026; ao mesmo tempo, o PL amplia sua presença no Senado e consolida uma nova correlação de forças no Congresso

Por Rota Policial News – As eleições de 2026 produziram uma série de derrotas para algumas das mais conhecidas lideranças da esquerda brasileira e expuseram uma mudança significativa na correlação de forças políticas do país.

Nomes com longa trajetória no Congresso e forte ligação com o governo do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concorre à reeleição, não conseguiram transformar capital político, estrutura partidária e alianças nacionais em vitórias nas urnas, demonstrando a queda da esquerda no país.

Um dos resultados de maior repercussão ocorreu no Paraná. A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, tentou retornar ao Senado, mas terminou apenas na quarta colocação, com 1.542.517 votos, equivalentes a 13,35% dos votos válidos, perdendo de lavada. As duas vagas ficaram com Filipe Barros (PL), que recebeu 3.148.406 votos, e Deltan Dallagnol (Novo), com 2.904.432, conforme revelam dados do TSE.

A diferença de Gleisi para Dallagnol, último candidato eleito, foi de 1.361.915 votos. Em relação ao primeiro colocado, Filipe Barros, a diferença chegou a 1.605.889 votos.

O resultado também colocou os dois representantes eleitos do Paraná no campo político identificado com a direita e o conservadorismo, demonstrando alto crescimento da direita no país.

No Amapá, outro nome de grande peso do governo Lula sofreu uma derrota expressiva. Randolfe Rodrigues (PT), senador desde 2011 e líder do governo no Congresso, terminou em terceiro lugar na disputa por duas cadeiras, perdendo também de lavada. Ele recebeu 163.857 votos, ou 18,55% da votação.

Rayssa Furlan (Podemos) foi eleita com 264.799 votos, enquanto Lucas Barreto (PSD) conquistou a segunda vaga com 213.948, conforme dados do TSE e do UOL Brasil.

Randolfe ficou 50.091 votos atrás de Lucas Barreto e 100.942 votos distante de Rayssa Furlan. A derrota encerra, pelo menos por enquanto, uma trajetória de 15 anos consecutivos no Senado.

No Rio de Janeiro, a ex-governadora e deputada federal Benedita da Silva, uma das figuras históricas do PT, também não conseguiu chegar ao Senado. Ela terminou em terceiro lugar, com 3.220.682 votos, ou 20,22% dos votos válidos. Ela também perdeu de levada e para candidatos da direita e em especial do PL.

As duas vagas ficaram com Carlos Portinho (PL), com 4.264.660 votos, e Carlos Jordy (PL), com 3.912.187, conforme dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Benedita ficou 691.505 votos atrás de Carlos Jordy, o segundo colocado, e 1.043.978 votos distante de Portinho, confirmando que à esquerda só vem perdendo espaço no Brasil.

O resultado chama atenção porque o Rio de Janeiro, um dos maiores colégios eleitorais do país, terminou com as duas cadeiras do Senado destinadas a candidatos do PL.

Haddad perde mais uma vez em uma campanha

Em São Paulo, a derrota foi ainda mais significativa pelo tamanho do estado e pelo peso nacional do candidato que chegou a ocupar o cargo de Ministro da Fazenda e sendo um total fracasso.

Fernando Haddad (PT), ex-prefeito da capital, ex-ministro da Educação e da Fazenda e nome que já disputou a Presidência da República, foi derrotado novamente por Tarcísio de Freitas na disputa pelo governo estadual.

Tarcísio foi reeleito ainda no primeiro turno, com 13.606.959 votos, ou 62,75% dos votos válidos. Haddad recebeu 7.877.086 votos, correspondentes a 36,33%. A diferença entre os dois chegou a 5.729.873 votos conforme dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e UOL Brasil.

A derrota de Haddad foi particularmente simbólica porque ele contou com o apoio do presidente Lula durante a campanha e perdeu de lavada enorme. O resultado representa também sua quarta derrota consecutiva em eleições, segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo.

Esquerda ainda tem chances?

Os resultados não significam, entretanto, que a esquerda tenha deixado de possuir força eleitoral no Brasil. A própria eleição de 2026 mostra o contrário em alguns estados. Na Bahia, por exemplo, Rui Costa e Jaques Wagner, ambos do PT, conquistaram as duas vagas ao Senado, com 4.335.196 e 3.986.690 votos, respectivamente, conforme dados oficiais do TSE.

O que os números demonstram é uma mudança na distribuição dessa força política. No Senado que tomará posse em 2027, o PL passará a ter 28 senadores, enquanto o PT terá nove.

O resultado coloca o Partido Liberal como a maior bancada da Casa e indica uma presença significativamente maior do campo conservador no Legislativo federal.

Além das derrotas individuais, chama atenção o fato de que importantes lideranças políticas não conseguiram transferir para seus candidatos ou para suas próprias candidaturas a influência acumulada ao longo de anos em Brasília.

Gleisi Hoffmann comandou nacionalmente o PT e ocupou a Casa Civil no governo Dilma Rousseff; Randolfe Rodrigues estava à frente da liderança do governo Lula no Congresso; Benedita possui décadas de atuação política; e Haddad foi ministro em diferentes governos petistas e candidato à Presidência da República, onde também perdeu naquela época.

O cenário desenhado pelas urnas, portanto, aponta para uma disputa política cada vez mais acirrada e para uma direita fortalecida em importantes espaços do Congresso Nacional.

Ao mesmo tempo, a permanência de governos e parlamentares ligados à esquerda em determinadas regiões mostra que o eleitorado brasileiro continua dividido e que a disputa entre os dois campos políticos permanecerá como uma das principais marcas da política nacional nos próximos anos.

Mais do que a derrota de alguns nomes conhecidos, a eleição de 2026 deixa uma mensagem clara: o peso histórico de uma liderança, a força de um partido ou o apoio de figuras nacionais já não garantem, por si só, uma vitória eleitoral e a população está cansada de alguns nomes e dá má gestão dos governos esquerdistas, buscando novos rumos para a política nacional.

Em diferentes estados, o eleitor demonstrou que pode alterar a composição do poder e produzir mudanças profundas na política brasileira.

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Redação / Tony Mont-Serrate

Imagem: Ilustrativa Rota Policial News/Montagem IA

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