Conhecida pelo traçado urbano planejado, clima ameno e crescimento constante, Vilhena voltou a ocupar posição alarmante no cenário da segurança pública em Rondônia.
Em 2025, o município fechou o ano com 54 homicídios, número que, quando analisado de forma proporcional à população, coloca a cidade no topo do ranking estadual de violência letal.
O total repete exatamente o registrado em 2024 e representa um salto expressivo em relação a 2023, quando foram contabilizados 42 assassinatos.
Mesmo ficando atrás de Porto Velho em números absolutos, a comparação populacional torna o quadro mais grave para Vilhena, que, pelo segundo ano seguido, apresenta taxa superior à da capital.
Levantamentos da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Vida indicam que, das 54 vítimas em 2025, 45 eram homens e 9 mulheres.
Entre os episódios que mais causaram comoção, está o assassinato de uma mulher cuja morte foi exposta em transmissão ao vivo para integrantes de uma facção criminosa fora do Estado, um caso que repercutiu nacionalmente e evidenciou a crueldade associada ao crime organizado.
Outro crime que marcou profundamente a cidade foi o homicídio de uma criança de apenas 12 anos, atingida por um disparo no peito e que não resistiu, morrendo nos braços da própria mãe.
O episódio gerou forte indignação e reacendeu o debate sobre a vulnerabilidade de jovens e famílias diante da violência urbana.
Dados do Observatório da Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania (SESDEC) mostram que Porto Velho registrou 152 crimes contra a vida em 2025, número menor que os 167 do ano anterior.
Em todo o Estado, os homicídios se aproximaram de 400 ocorrências no período. Nesse contexto, Vilhena responde por uma parcela significativa, especialmente quando comparada a municípios de porte semelhante, como Cacoal, que contabilizou 16 homicídios e nenhum feminicídio no mesmo ano.
Além das mortes consumadas, o município também registrou 42 tentativas de homicídio em 2025. As investigações apontam que grande parte dos casos está ligada ao tráfico e ao consumo de drogas, com o álcool aparecendo como fator recorrente em situações de violência.
O cenário reforça o desafio das autoridades locais e estaduais em conter o avanço da criminalidade e devolver à população a sensação de segurança em uma cidade que, apesar de seus atrativos e potencial de desenvolvimento, segue convivendo com números que preocupam.