Justiça por Algoritmo? O Atalho Perigoso das Decisões Automatizadas e o Risco ao Jurisdicionado
COLUNA JURÍDICA, Vilhena/RO 01 de Julho de 2026; Por Alex André Smaniotto, Advogado OAB/RO 2681

Nos corredores dos fóruns e nas telas dos processos eletrônicos, uma nova sombra paira sobre o princípio mais caro ao Direito: a Justiça.

A promessa de celeridade, trazida pela Inteligência Artificial, tem se revelado, em muitos casos, um atalho perigoso que compromete a análise processual e, em última instância, nega ao cidadão o seu direito a uma decisão justa e fundamentada.
Temos testemunhado um fenômeno alarmante: a proliferação de despachos e até mesmo sentenças que parecem ter sido gerados por sistemas automatizados, aplicados de forma acrítica e sem a devida supervisão humana.

São decisões padronizadas, que ignoram as particularidades de cada caso e demonstram uma perigosa falta de leitura e compreensão integral dos autos.
O processo judicial é um diálogo complexo, construído passo a passo. Ele começa com os argumentos da Petição Inicial, é desafiado pela Contestação, enriquecido pelas provas e refinado pelos Recursos.
Cada uma dessas etapas é essencial. Quando uma decisão interlocutória ou terminativa surge com erros crassos como confundir a fase de conhecimento com a de execução ou aplicar uma súmula completamente alheia aos fatos o sinal de alerta é ensurdecedor.
Fica evidente que a análise cuidadosa, artesanal e humana simplesmente não aconteceu. O processo não foi “lido”; foi apenas “escaneado” por um algoritmo em busca de palavras-chave.
A grande falácia da era digital no Judiciário é crer que a complexa tarefa de julgar possa ser substituída por um software. Um magistrado não é um mero aplicador de texto de lei. Sua preparação, seu conhecimento acumulado, sua capacidade de interpretar nuances, de ponderar provas conflitantes e, principalmente, de compreender o contexto humano por trás dos autos são qualidades insubstituíveis. A toga não pode ser trocada por um código-fonte.
A IA pode e deve ser uma ferramenta fantástica de apoio para pesquisar jurisprudência, organizar informações, identificar padrões. Contudo, ela jamais poderá ocupar a cadeira do julgador.
A responsabilidade final pela decisão com todas as suas consequências para a vida, o patrimônio e a liberdade das pessoas é indelegavelmente humana.
Quando um juiz se apoia em uma minuta gerada por IA sem a devida revisão, ele não está apenas cometendo um erro processual. Ele está abdicando de sua principal função. E o prejuízo dessa abdicação recai, invariavelmente, sobre o jurisdicionado. É o cidadão que vê seu direito negado por uma “falha no sistema”.
É a empresa que arca com um passivo indevido porque um “robô” não soube diferenciar um fato de uma presunção.
O combate a essa prática não é uma luta contra a tecnologia, mas sim a favor da Justiça. É uma defesa intransigente de que, por trás de cada processo, existem vidas e direitos que merecem mais do que uma resposta automatizada. Merecem a atenção, o preparo e a sabedoria de um juiz de direito. A eficiência não pode, jamais, ser um pretexto para a injustiça.
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Fonte: Alex André Smaniotto, Advogado OAB/RO 2681




























